O diretor Zack Snyder (O Homem de Aço) e o animador Bruce Timm (Superman: A Serie Animada e Batman: A Serie Animada) uniram forças para contar os 75 anos de história do Superman em um vídeo de dois minutos:
Produzido pela Warner Bros. Animation, o curta começa com um close-up da clássica imagem da capa da Action Comics #1. A trilha começa com o tema clássico de John Williams e acaba com a composição de Hans Zimmer para O Homem de Aço.
Fonte: Omelete
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
"O homem que não tinha tudo" (Critica do site Black Zombie para o filme "O Homem de Aço")
Belíssimo texto indicado pelo Wendell Lima, da comunidade Super-Homem, no Orkut (SIM, eu ainda frequento o orkut!). Apesar de discordar de alguns detalhes aqui e ali, no geral posso afirmar que essa resenha reflete bem a minha visão atual do filme. Então, leiam e tirem suas próprias conclusões!

(Por Doggma)
Sempre achei meio complicado comentar qualquer filme do Superman. Sou da 2ª geração de guris arrebatados pelo saudoso Christopher Reeve em sua personificação do herói. Meu caso, por sinal, é perdido: até hoje sou fascinado pela quadrilogia inteira, mesmo com a metade dela sendo muito ruim e toda ela muito envelhecida. O que nunca foi problema pra mim. Revejo aqueles filmes como alguém que relê um bom gibi da Era de Prata. Fora isso, tenho a forte sensação, não apenas nostálgica, de que aquela (ingênua) mensagem de respeito, caráter, esperança e altruísmo jamais será igualada. Ou mesmo almejada. Os tempos são outros. Mas pelo próprio bem do personagem, a necessidade de se aventurar nesse mundo atual cinzento com matiz verde-blockbuster é prioridade.
Em 2004, quando a Warner contratou Bryan Singer para dirigir o novo filme do Superman, houve uma celeuma natural entre os fanboys, ávidos por um herói atualizado em discurso, estética e, principalmente, ação, ah, a ação. Poucos pareciam tão aptos para a tarefa quanto o sujeito que viabilizou os X-Men nas telonas. Para desespero do público, Singer se deixou seduzir novamente pela magia temporã de Richard Donner e fez da produção um tributo aos dois superfilmes que, de um jeito ou de outro, levaram a sua assinatura. Apesar de alguns poucos terem se reconectado uma vez mais àquele espírito e secretamente agradecido ao Singer por isso (arram), todos concordaram que foi uma chance desperdiçada de repaginar o herói para uma dinâmica moderna e assim seguir em frente com a mitologia.
A possibilidade de ver o Superman do cinema enfrentando ameaças da sua ordem de grandeza - entre as numerosas opções de sua galeria de vilões - voltou a ser longínqua e onírica, quase improvável. Parecíamos fadados a reprises de Neo vs. Agente Smith e devaneios à base de Dragonball Z. Porém, com a ajudinha indireta de um colega de capa, uma nova chance não tardou.
O Homem de Aço (Man of Steel, 2013) veio para assumir essa responsabilidade e, com a direção nada sutil de Zack Snyder, fez o que parecia impossível, possível. Felizmente, meus temores se revelaram infundados. O filme não só apresenta o personagem para o século 21, como responde sem firulas velhas trivias nerd sobre sua contraparte cinematográfica. Por exemplo, qual o estrago que um ser como ele poderia fazer numa metrópole - ou Metrópolis - retratada da forma mais realista possível para uma superprodução hollywoodiana. Nada muito reflexivo ou existencialista, mas a pegada principal não era essa.
Ainda que David S. Goyer tenha acumulado pontos via Batman, seu roteiro, baseado na premissa concebida com o normalmente cerebral Christopher Nolan, se rende com frequência ao fan service. O que, em teoria, não é diferente do praticado no cinemão pop estadunidense pelos [Michael] Bays e [Roland] Emmerichs da vida, não fosse por um detalhe primordial: é um filme do Superman, a.k.a Clark Kent, rapaz do Kansas criado por pais adotivos com um grande senso moral e uma visão humanista do mundo. Eventualmente, isso entra em conflito com o perfil blockbuster da história e também mostra que O Homem de Aço herdou mais da trilogia quiróptera de Nolan do que um mercado comercialmente favorável.

O começo do filme é punk puro. Vemos os turbulentos dias finais de Krypton, outrora uma grandiosa civilização interplanetária, agora decadente e varrida por uma tentativa de golpe liderada pelo renegado General Zod (Michael Shannon). Completando o worst case scenario, o núcleo do planeta entrou em colapso e está na iminência de explodir, impossibilitando assim qualquer chance de sobrevida, exceto uma: o codex genético no qual estão armazenadas as linhagens de toda a raça kryptoniana. Não por acaso, é o objeto de desejo máximo de Zod, que planeja erguer uma nova Krypton sob seu comando, aplicando seus próprios parâmetros de eugenia.
Como uma última grande conquista do Krypton way of life, Zod e seus seguidores - entre eles a formidável operativa Faora-Ul (Antje Traue) - são derrotados, presos e enviados à Zona Fantasma. Tudo graças à intervenção do líder cientista Jor-El (Russell Crowe), que frustra os planos do militar ao mesmo tempo em que envia seu famoso filho recém-nascido à Terra para escapar do destino de Krypton. Adotado pelo casal Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane), Clark, a.k.a Kal-El (Henry Cavill), atravessa a vida escolar deslocado e solitário, até que um dia sai pelo mundo em busca de suas raízes. Pelo menos, até ser rastreado pela repórter investigativa Lois Lane (Amy Adams). Assim, nasce uma mitologia moderna - que logo é posta à prova quando Zod e seus camaradas aportam na Terra com intenções nada diplomáticas.
Snyder deixa claro que o objetivo é reformar o universo do Superman desde as bases mais profundas. Krypton nunca foi visto assim fora dos quadrinhos. O que era um planeta asséptico e estéril em sua concepção prévia, virou uma esfera terrígena cheia de vida, não fazendo feio nem perto de Pandora, embora nitidamente debilitada pela falência de seus recursos naturais. O estilo da arquitetura traz a impressão de estarmos vendo alguma splash page do saudoso Moebius ganhando vida. Sendo apenas uma introdução, pouco é revelado sobre a cultura e o contexto social. Percebe-se o contraste de uma sociedade avançada para os padrões humanos, mas não tanto a ponto de abrir mão de trabalho animal ou de superar dogmas arcaicos. Um toque bastante mundano por parte do roteiro. E sobretudo, eficiente: ao mesmo tempo explica por que Krypton abandonou a expansão para outros planetas e suas respectivas terraformações (ou seriam kryptoformações?) e por que não iniciou um êxodo pelo espaço para salvar seu povo da extinção.
Esse aspecto também ajuda a compor a inesperada tridimensionalidade do personagem Zod.

Diferente do oficial aristocrata eternizado por Terence Stamp, o Zod de Michael Shannon é um nacionalista, um soldado comprometido com a missão da sua vida. Portanto, nada de "ajoelhe-se perante Zod". Do levante antigovernista em seu planeta natal até suas ações genocidas na Terra, seu intento é um só: a salvação da sua raça, não importa o custo. E pensando bem... importaria? Se qualquer um faria o mesmo em seu lugar ou se Krypton já teve sua chance é uma questão ética que sustenta uma boa discussão. O fato é que resumi-lo como vilão com uma raison d'être tão autêntica já não fica tão simples assim. A cena em que Zod, desesperado, apela para que a esposa de Jor-El, Lara (Ayelet Zurer), não lance a nave com o codex (e seu filho) destaca ainda mais a ambiguidade da situação.
Mais pra frente, o filme acaba cedendo ao tomar partido na cena da bad trip do Superman, onde ele descobre os planos de Zod para os nativos da Terra, mas até ali o saldo conceitual era muito positivo. É mais do que se poderia esperar de um filme-pipoca. E não para por aí.
A cinebiografia do Clark pré-Superman ainda é escassa em detalhes, mas ganhou no filme uma profundidade inédita até então. Cair na estrada como um benfeitor anônimo, ao velho estilo "David Banner", se revelou um recurso ainda eficiente. Foi uma boa estratégia pra ficar fora do radar e, ao mesmo tempo, antenado com o mundo à sua volta, atrás de qualquer sinal de anormalidade que possa ter alguma conexão com a sua origem - com direito a uma certeira inserção de "Seasons", do Chris Cornell. Cavill convence como bom-moço mezzo decidido mezzo inexperiente. Conseguiu não apenas caracterizar o Superman em formação como também guiar o espectador pela trama.
A única ressalva vai para a quantidade pífia de linhas à sua disposição. Mesmo transmitindo serenidade no papel, Cavill foi um tanto amordaçado pelo script, sugerindo um certo pé atrás do diretor com seu ator - quase reeditando a tática de Bryan Singer com o então novato Brandon Routh, no Super 2006.
Bobagem. É fácil ver a competência dele, especialmente na cena breve, mas marcante, que dividiu com Kevin Costner. Que, por sinal, foi uma excelente escolha para o pai adotivo do escoteirão. Com sua bagagem de veterano e de ex-#1 de Hollywood, Costner passa toda a confiabilidade e afetuosidade que se espera do papel. Mas, ironicamente, veio do personagem dele o primeiro sinal de que havia algo de errado no ar.
Na verdade, "sinal" é pouco... eu diria mais um direto de direta, onde Jonathan mostra que não é um caipira do Kansas e sim dos Ozarks:
- "E o que eu deveria ter feito, deixa-los morrer?"
- "Talvez."
E conclui:
"There's more at stake here than just our lives and the lives of those around us."
Grande Júpiter.
Ou ele projetava um Clark sociopata e tirânico para o futuro ou foi substituído por um Jonathan Bizarro com as melhores (ou "piores") intenções. Logo ele, recém-saído da boa caracterização de John Schneider na série Smallville. Aconselhar Clark a não salvar a vida de inocentes - crianças ainda - para esconder o que fosse nunca fez parte de seu perfil, seja em qual versão ou mídia. Jonathan seria expulso do Hall dos Mentores das HQs na hora, pelo Ben Parker em pessoa, que entoaria sua mais célebre frase com a voz de James Earl Jones pra ele nunca mais esquecer.
Desnecessário chafurdar a fundo nesse absurdo, mas vamos considerar que essa é sua natureza no filme, de alguém preocupado e temeroso pelo futuro do filho, como qualquer pai seria. Dadas as circunstâncias, faltou um "pouquinho" mais de fé no garoto ali. Especialmente num garoto invencível e invulnerável que literalmente foi um presente dos céus. Ou seria tudo uma alusão ao homem comum de hoje, mais amargo, pragmático e menos afeito à solidariedade e amor ao próximo, valores esses massacrados diariamente nas manchetes policiais? Se foi, faltou combinar.
De quebra, Jonathan ainda sai de cena vitimado pela própria lógica, de forma ainda mais melancólica, mesmo que pontuada pela soberba atuação de Costner. Nem todos os memes disponíveis na web fariam jus a esse tremendo fail do roteiro de Goyer, mas, como consolo, foi fichinha perto do que estaria por vir.

Verdade seja dita, nenhum filme baseado em quadrinhos de super-heróis teve sequências de ação como O Homem de Aço. É o mais próximo de um vale-tudo entre superseres que o cinema produziu até hoje. Não deixa de impressionar a evolução na área desde X-Men, há exatos 13 anos atrás - e que agora fica parecendo até um filme do Roger Corman. Isso graças à mão pesada e vertiginosa de Zack Snyder, muito bem captada pela equipe de 2ª unidade, que, segundo me disseram, são os criativos e os operários por trás do espetáculo. E por incrível que pareça, sem uso compulsivo de câmera lenta, o crack de Snyder desde muito tempo.
Pelo contrário...
Ao ilustrar a supervelocidade dos kryptonianos em tempo (sur)real, o diretor dá a dimensão exata do poder e da ameaça que eles representam - aspecto conduzido com perfeição pela assustadora Faora. Que não é a misândrica radical dos quadrinhos, mas também é objetivista, sem remorsos e, aparentemente, ainda mestra em Horu-Kanu (o Krav Maga de Krypton). São dela as melhores brigas do filme, que passa como um rolo compressor por cima do exército e do azulão. Antje Traue, do bacanudo Pandorum, funciona tão bem no papel que quase chega a apagar da tela um gorila kryptoniano de 4 metros que comparece no campo de batalha.
Seu visual também é um deleite: a beleza e o olhar gélido da atriz alemã caíram como uma luva na indumentária futurista e meio dark - pessoalmente, um déjà vu e tanto. Entra tranquila no clube de coadjuvantes sinistros que roubam a cena com cotação recorde: 5 Darth Mauls de 5.
Paradoxalmente, é em meio a esses acertos que surge a pior faceta de O Homem de Aço. Dando plena e furiosa vazão aos subtextos proferidos pelo cajun Jonathan no 1º ato do filme, o que se vê na reta final é uma sinfonia da destruição executada no último volume. Até aí tudo bem, a Metrópolis dos quadrinhos é varrida do mapa quase toda quinzena e finalmente temos a tecnologia para simular isso num filme; o problema é quando cruza a fronteira da negligência, atropelando nada menos que a índole do escoteirão. Sua luta contra Faora em Smallville já era um prenúncio do megadeath iminente: além de salvar um ou outro militar (por fins práticos, buscando gerar confiança?), o herói pouco faz em relação aos civis residentes e trabalhadores no local.
No máximo, aconselha um grupelho de coitados a se trancarem nos estabelecimentos - os mesmos que ele e Faora moem durante o quebra, sem preocupação aparente com quem está lá, sejam mulheres, idosos, crianças, pandas, coalas, o que for. Ainda assim foi como um passeio no parque perto do que aconteceu quando Superman e Zod fizeram Metrópolis de octógono.

A tensa sequência em que Perry White (Laurence Fishburne) e mais um sujeito tentam retirar uma colega dos escombros é, talvez, a mais reveladora de O Homem de Aço. Na hora, lembrei de uma cena similar e a mais emblemática de Superman - O Retorno: Lois, seu filho e seu marido contemplando a morte certa presos num barco afundando. Singer estica a virada sadicamente até o limite, arrematando com um gancho que sintetiza, sem que nenhuma palavra seja dita, a essência do Superman. Ou, pelo menos, daquele o qual estávamos acostumados. No novo filme, a coisa é bem diferente. Com uma máquina do Juízo Final bombando a poucos metros dali e com seus esforços se mostrando em vão, em dado momento White decide entregar os pontos e permanecer ao lado da amiga até o fim inevitável. Naquele momento, eles só tem um ao outro e nenhuma esperança. Ninguém virá. E não vem mesmo. Você tem um homem de aço na sua cidade, mas está por sua conta. Sem essa de superamigo.
Agora imagine quantas dessas microssituações dramáticas se deram entre as ruínas de Metrópolis enquanto dois deuses trovejavam no céu e derrubavam mais prédios? Dante Alighieri manda lembranças.
Longe de querer um caos ordenado que se auto-justifica a cada 5 segundos. É óbvio que um evento dessa magnitude faria cadáveres brotarem do chão. Acontece todo tempo nas histórias do herói, ainda que implicitamente, mas sempre administrado por uma atitude protecionista em relação aos frágeis e mortais terrestres. Não de forma que interrompa o fluxo da ação ou da narrativa, mas em breves cenas sugerindo que ele fez o que pôde antes de se dedicar à pancadaria em definitivo - é o padrão desde sempre, nas HQs, nos longas animados e, adivinha, nos filmes com o Reeve. Haviam opções para mover o confronto para outro lugar, como no espaço, onde ele até tentou (só que, infelizmente, sempre caíam nos mesmos lugares... magia do Caos, for sure). O oceano era logo ali. Desertos, cânions e o pólo ártico não eram nem na esquina pra eles.
Se foi inexperiência, compro até certo ponto. Mas fica complicado quando o único civil que Superman se digna a salvar é exatamente a Lois - três vezes durante o filme, sendo a última delas um deus ex machina que coraria até o T. Rex do final de Jurassic Park. Se isso tudo fosse uma análise comportamental sobre ele, como eu deveria interpretar?
E por incrível que pareça, nem menção posterior há aos prejuízos astronômicos e às prováveis milhares de vítimas das ações dos kryptonianos (todos eles). Algo que poderia muito bem ser resolvido de uma forma sutil, emocionante e respeitosa sem gastar tanto tempo ou baixar uma nuvem deprê no contexto PG-13.
O Homem de Aço se compromete com o aspecto humanista e sociológico da situação, mas não segura o rojão. E olha que não sou de nenhum Comitê dos Direitos Humanos dos Seres Vivos Fictícios. Sou fã de cinema-destruição. Rio muito sempre que o Lobo lembra como destruiu seu planeta natal. Darth Vader explodiu Alderaan e tenho um Vaderzinho de chumbo na minha mesa. Meu personagem favorito dos quadrinhos é Galactus. Nenhum deles tenta ser o que não é - ou mais do que é.
Diante disso, ficaria feliz em não ter mais nada a questionar, porém, a vida não é fácil pra quem detesta fazer coro com rebanho moralista. E calhou disso acontecer justamente na cena mais polêmica do filme.
De um lado, uma linda família caucasiana recém-saída das filmagens de um comercial de margarina. De outro, Superman aplicando um mata leão em Zod, que diz em alto e bom som que vai flambar todo mundo porque Kal-El não tem cojones de aço pra impedi-lo. Além de recorrer a uma imagética vexaminosa de tão apelativa e maniqueísta, a edificante solução encontrada pelo roteiro de Goyer não poderia ser mais populista em sua visão mais primária e obtusa da Justiça, eliminando qualquer fagulha de inspiração e idealização que poderia advir do Superman. Ufa. Como bem disse Brainiac em saga recente, é uma decepção ver um filho de Krypton reduzido a um bruto.
Sério que ele não conseguiu pensar em nada, mesmo com Zod dominado numa super-gravata? O Super mesmo foi nocauteado por Faora e o gigante em dado momento, então isso era possível na lógica do filme. Ele poderia ter apertado mais até o vilão perder os sentidos. Ou, sei lá, socado sua cabeça até conseguir. Depois poderia tê-lo levado até a nave exploradora e buscado intel para contê-lo (radiação do sol vermelho, simulação de atmosfera kryptoniana, etc). Provavelmente até acharia por lá um daqueles pen-drives kryptonianos com o Jor-El backupeado, pronto para auxiliá-lo a despachar novamente o general para a Zona Fantasma. Ou qualquer coisa.
Mas preferiram colocar o Superman matando no primeiro filme da sua muito aguardada reabilitação cinematográfica. Pior, se submetendo ao joguinho de manipulação do vilão, descendo assim ao seu nível. Em algum lugar de uma galáxia distante, Luke Skywalker dá um facepalm.
Ironicamente, soou como um upgrade da infame cena "América para os americanos" do Superman II original. Isso, mais o fato do mundo fora dos EUA ser retratado no filme como uma terra de ninguém terceiro-mundista, constitui uma clara mensagem pra quem se atrever a pisar no quintal gringo. Slavoj Žižek aproveitaria até a raspa desse tacho. Sem medo de soar purista, filme de Super-Homem não é lugar para pregações reacionárias. Não dá pra corroborar com um Superman que age como alguém sem superpoderes, sem perspicácia e sem opções, rendido pela máxima popular do "bandido bom é bandido morto" - com certeza existe mais de um equivalente republicano-redneck disso aí.
O desenlace do final foi igualmente atordoante, no mau sentido, com Clark indo trabalhar no Planeta Diário. É exigir demais da suspensão da descrença. Dá a impressão que Goyer já havia perdido completamente o controle e apressou a conclusão o mais rápido possível para evitar mais danos, tal qual um piloto de airbus que descarta o combustível em pleno ar, certo de que o pouso será de nariz.

O lado positivo disso tudo é que Henry Cavill se sobressai ileso aos carrinhos criminosos do roteiro com uma atuação digna e segura, até mesmo em sua reação após o "inevitável". O que, sem dúvida, foi essencial para a boa química de Clark e sua mãe adotiva, Martha - uma ótima Diane Lane com maquiagem envelhecedora pra chocar os trintões. E eu ainda nem terminei de suspirar por ela em Ruas de Fogo...

Só elogios para a encantadora Amy Adams, que, mesmo sendo jogada de lá pra cá de forma pouco criteriosa, faz uma Lois sexy, atrevida, sagaz, no tom certo de humor - e aparentemente velocista nível mach 10, já que faz o eixão meio-oeste/costa leste norte-americana em tempo recorde.
Foi bem sacada a escalação de Richard Schiff para o papel do Prof. Emil Hamilton, personagem pouco conhecido do público em geral, mas frequente colaborador do herói nas HQs e nas séries animadas. Igualmente para a participação do grande Christopher Meloni como o coronel extrassacudo que chama Faora na chincha não uma, mas duas vezes. Já Russell Crowe apenas não compromete, embora tenha ficado um tanto galhofeiro e fanfarrão nas cenas do Jor-El holográfico. E desceu quadrado o cacete que ele, um cientista, deu em Zod e mais uns capangas no início do filme, mas deixa baixo.
A edição meio truncada e corrida, à Nolan, também não funcionou a contento. Apesar de turbinar a dinâmica, suprime momentos potencialmente emocionais como a cena em que Jonathan revela a cápsula para Clark - numa notável atuação do garoto Dylan Sprayberry, por sinal. E a tão alardeada estreia do "universo compartilhado" da DC nos cinemas foi tímida: limitou-se a um logo-Lex aqui e um satélite Wayne acolá. Pouco pra quem tem a pretensão de reeditar a campanha bem-sucedida da Marvel Studios, ainda mais considerando que o UDC sempre foi mais integrado que a concorrência. Em contrapartida, a justa homenagem ao Christopher Reeve foi arrepiante.
A cena que fecha o filme é evocativa e belíssima. Clark bem menino, brincando no quintal de casa com seu cachorro, em meio aos varais e roupas estendidas. É universal. E ao mesmo tempo, não podia ser mais íntimo. Talvez seja aí que resida a verdadeira força de O Homem de Aço, perdida entre o filme que há muito queríamos ver, o filme que nos foi dado e o espírito e o coração do velho Superman.

Ps: o Luwig fez um fantástico texto sobre o filme com referências e especulações a granel.
FONTE: Black Zombie

(Por Doggma)
Sempre achei meio complicado comentar qualquer filme do Superman. Sou da 2ª geração de guris arrebatados pelo saudoso Christopher Reeve em sua personificação do herói. Meu caso, por sinal, é perdido: até hoje sou fascinado pela quadrilogia inteira, mesmo com a metade dela sendo muito ruim e toda ela muito envelhecida. O que nunca foi problema pra mim. Revejo aqueles filmes como alguém que relê um bom gibi da Era de Prata. Fora isso, tenho a forte sensação, não apenas nostálgica, de que aquela (ingênua) mensagem de respeito, caráter, esperança e altruísmo jamais será igualada. Ou mesmo almejada. Os tempos são outros. Mas pelo próprio bem do personagem, a necessidade de se aventurar nesse mundo atual cinzento com matiz verde-blockbuster é prioridade.
Em 2004, quando a Warner contratou Bryan Singer para dirigir o novo filme do Superman, houve uma celeuma natural entre os fanboys, ávidos por um herói atualizado em discurso, estética e, principalmente, ação, ah, a ação. Poucos pareciam tão aptos para a tarefa quanto o sujeito que viabilizou os X-Men nas telonas. Para desespero do público, Singer se deixou seduzir novamente pela magia temporã de Richard Donner e fez da produção um tributo aos dois superfilmes que, de um jeito ou de outro, levaram a sua assinatura. Apesar de alguns poucos terem se reconectado uma vez mais àquele espírito e secretamente agradecido ao Singer por isso (arram), todos concordaram que foi uma chance desperdiçada de repaginar o herói para uma dinâmica moderna e assim seguir em frente com a mitologia.
A possibilidade de ver o Superman do cinema enfrentando ameaças da sua ordem de grandeza - entre as numerosas opções de sua galeria de vilões - voltou a ser longínqua e onírica, quase improvável. Parecíamos fadados a reprises de Neo vs. Agente Smith e devaneios à base de Dragonball Z. Porém, com a ajudinha indireta de um colega de capa, uma nova chance não tardou.
O Homem de Aço (Man of Steel, 2013) veio para assumir essa responsabilidade e, com a direção nada sutil de Zack Snyder, fez o que parecia impossível, possível. Felizmente, meus temores se revelaram infundados. O filme não só apresenta o personagem para o século 21, como responde sem firulas velhas trivias nerd sobre sua contraparte cinematográfica. Por exemplo, qual o estrago que um ser como ele poderia fazer numa metrópole - ou Metrópolis - retratada da forma mais realista possível para uma superprodução hollywoodiana. Nada muito reflexivo ou existencialista, mas a pegada principal não era essa.
Ainda que David S. Goyer tenha acumulado pontos via Batman, seu roteiro, baseado na premissa concebida com o normalmente cerebral Christopher Nolan, se rende com frequência ao fan service. O que, em teoria, não é diferente do praticado no cinemão pop estadunidense pelos [Michael] Bays e [Roland] Emmerichs da vida, não fosse por um detalhe primordial: é um filme do Superman, a.k.a Clark Kent, rapaz do Kansas criado por pais adotivos com um grande senso moral e uma visão humanista do mundo. Eventualmente, isso entra em conflito com o perfil blockbuster da história e também mostra que O Homem de Aço herdou mais da trilogia quiróptera de Nolan do que um mercado comercialmente favorável.

O começo do filme é punk puro. Vemos os turbulentos dias finais de Krypton, outrora uma grandiosa civilização interplanetária, agora decadente e varrida por uma tentativa de golpe liderada pelo renegado General Zod (Michael Shannon). Completando o worst case scenario, o núcleo do planeta entrou em colapso e está na iminência de explodir, impossibilitando assim qualquer chance de sobrevida, exceto uma: o codex genético no qual estão armazenadas as linhagens de toda a raça kryptoniana. Não por acaso, é o objeto de desejo máximo de Zod, que planeja erguer uma nova Krypton sob seu comando, aplicando seus próprios parâmetros de eugenia.
Como uma última grande conquista do Krypton way of life, Zod e seus seguidores - entre eles a formidável operativa Faora-Ul (Antje Traue) - são derrotados, presos e enviados à Zona Fantasma. Tudo graças à intervenção do líder cientista Jor-El (Russell Crowe), que frustra os planos do militar ao mesmo tempo em que envia seu famoso filho recém-nascido à Terra para escapar do destino de Krypton. Adotado pelo casal Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane), Clark, a.k.a Kal-El (Henry Cavill), atravessa a vida escolar deslocado e solitário, até que um dia sai pelo mundo em busca de suas raízes. Pelo menos, até ser rastreado pela repórter investigativa Lois Lane (Amy Adams). Assim, nasce uma mitologia moderna - que logo é posta à prova quando Zod e seus camaradas aportam na Terra com intenções nada diplomáticas.
Snyder deixa claro que o objetivo é reformar o universo do Superman desde as bases mais profundas. Krypton nunca foi visto assim fora dos quadrinhos. O que era um planeta asséptico e estéril em sua concepção prévia, virou uma esfera terrígena cheia de vida, não fazendo feio nem perto de Pandora, embora nitidamente debilitada pela falência de seus recursos naturais. O estilo da arquitetura traz a impressão de estarmos vendo alguma splash page do saudoso Moebius ganhando vida. Sendo apenas uma introdução, pouco é revelado sobre a cultura e o contexto social. Percebe-se o contraste de uma sociedade avançada para os padrões humanos, mas não tanto a ponto de abrir mão de trabalho animal ou de superar dogmas arcaicos. Um toque bastante mundano por parte do roteiro. E sobretudo, eficiente: ao mesmo tempo explica por que Krypton abandonou a expansão para outros planetas e suas respectivas terraformações (ou seriam kryptoformações?) e por que não iniciou um êxodo pelo espaço para salvar seu povo da extinção.
Esse aspecto também ajuda a compor a inesperada tridimensionalidade do personagem Zod.

Diferente do oficial aristocrata eternizado por Terence Stamp, o Zod de Michael Shannon é um nacionalista, um soldado comprometido com a missão da sua vida. Portanto, nada de "ajoelhe-se perante Zod". Do levante antigovernista em seu planeta natal até suas ações genocidas na Terra, seu intento é um só: a salvação da sua raça, não importa o custo. E pensando bem... importaria? Se qualquer um faria o mesmo em seu lugar ou se Krypton já teve sua chance é uma questão ética que sustenta uma boa discussão. O fato é que resumi-lo como vilão com uma raison d'être tão autêntica já não fica tão simples assim. A cena em que Zod, desesperado, apela para que a esposa de Jor-El, Lara (Ayelet Zurer), não lance a nave com o codex (e seu filho) destaca ainda mais a ambiguidade da situação.
Mais pra frente, o filme acaba cedendo ao tomar partido na cena da bad trip do Superman, onde ele descobre os planos de Zod para os nativos da Terra, mas até ali o saldo conceitual era muito positivo. É mais do que se poderia esperar de um filme-pipoca. E não para por aí.
A cinebiografia do Clark pré-Superman ainda é escassa em detalhes, mas ganhou no filme uma profundidade inédita até então. Cair na estrada como um benfeitor anônimo, ao velho estilo "David Banner", se revelou um recurso ainda eficiente. Foi uma boa estratégia pra ficar fora do radar e, ao mesmo tempo, antenado com o mundo à sua volta, atrás de qualquer sinal de anormalidade que possa ter alguma conexão com a sua origem - com direito a uma certeira inserção de "Seasons", do Chris Cornell. Cavill convence como bom-moço mezzo decidido mezzo inexperiente. Conseguiu não apenas caracterizar o Superman em formação como também guiar o espectador pela trama.A única ressalva vai para a quantidade pífia de linhas à sua disposição. Mesmo transmitindo serenidade no papel, Cavill foi um tanto amordaçado pelo script, sugerindo um certo pé atrás do diretor com seu ator - quase reeditando a tática de Bryan Singer com o então novato Brandon Routh, no Super 2006.
Bobagem. É fácil ver a competência dele, especialmente na cena breve, mas marcante, que dividiu com Kevin Costner. Que, por sinal, foi uma excelente escolha para o pai adotivo do escoteirão. Com sua bagagem de veterano e de ex-#1 de Hollywood, Costner passa toda a confiabilidade e afetuosidade que se espera do papel. Mas, ironicamente, veio do personagem dele o primeiro sinal de que havia algo de errado no ar.
Na verdade, "sinal" é pouco... eu diria mais um direto de direta, onde Jonathan mostra que não é um caipira do Kansas e sim dos Ozarks:
- "E o que eu deveria ter feito, deixa-los morrer?"
- "Talvez."
E conclui:
"There's more at stake here than just our lives and the lives of those around us."
Grande Júpiter.
Ou ele projetava um Clark sociopata e tirânico para o futuro ou foi substituído por um Jonathan Bizarro com as melhores (ou "piores") intenções. Logo ele, recém-saído da boa caracterização de John Schneider na série Smallville. Aconselhar Clark a não salvar a vida de inocentes - crianças ainda - para esconder o que fosse nunca fez parte de seu perfil, seja em qual versão ou mídia. Jonathan seria expulso do Hall dos Mentores das HQs na hora, pelo Ben Parker em pessoa, que entoaria sua mais célebre frase com a voz de James Earl Jones pra ele nunca mais esquecer.
Desnecessário chafurdar a fundo nesse absurdo, mas vamos considerar que essa é sua natureza no filme, de alguém preocupado e temeroso pelo futuro do filho, como qualquer pai seria. Dadas as circunstâncias, faltou um "pouquinho" mais de fé no garoto ali. Especialmente num garoto invencível e invulnerável que literalmente foi um presente dos céus. Ou seria tudo uma alusão ao homem comum de hoje, mais amargo, pragmático e menos afeito à solidariedade e amor ao próximo, valores esses massacrados diariamente nas manchetes policiais? Se foi, faltou combinar.
De quebra, Jonathan ainda sai de cena vitimado pela própria lógica, de forma ainda mais melancólica, mesmo que pontuada pela soberba atuação de Costner. Nem todos os memes disponíveis na web fariam jus a esse tremendo fail do roteiro de Goyer, mas, como consolo, foi fichinha perto do que estaria por vir.

Verdade seja dita, nenhum filme baseado em quadrinhos de super-heróis teve sequências de ação como O Homem de Aço. É o mais próximo de um vale-tudo entre superseres que o cinema produziu até hoje. Não deixa de impressionar a evolução na área desde X-Men, há exatos 13 anos atrás - e que agora fica parecendo até um filme do Roger Corman. Isso graças à mão pesada e vertiginosa de Zack Snyder, muito bem captada pela equipe de 2ª unidade, que, segundo me disseram, são os criativos e os operários por trás do espetáculo. E por incrível que pareça, sem uso compulsivo de câmera lenta, o crack de Snyder desde muito tempo.
Pelo contrário...
Ao ilustrar a supervelocidade dos kryptonianos em tempo (sur)real, o diretor dá a dimensão exata do poder e da ameaça que eles representam - aspecto conduzido com perfeição pela assustadora Faora. Que não é a misândrica radical dos quadrinhos, mas também é objetivista, sem remorsos e, aparentemente, ainda mestra em Horu-Kanu (o Krav Maga de Krypton). São dela as melhores brigas do filme, que passa como um rolo compressor por cima do exército e do azulão. Antje Traue, do bacanudo Pandorum, funciona tão bem no papel que quase chega a apagar da tela um gorila kryptoniano de 4 metros que comparece no campo de batalha.Seu visual também é um deleite: a beleza e o olhar gélido da atriz alemã caíram como uma luva na indumentária futurista e meio dark - pessoalmente, um déjà vu e tanto. Entra tranquila no clube de coadjuvantes sinistros que roubam a cena com cotação recorde: 5 Darth Mauls de 5.
Paradoxalmente, é em meio a esses acertos que surge a pior faceta de O Homem de Aço. Dando plena e furiosa vazão aos subtextos proferidos pelo cajun Jonathan no 1º ato do filme, o que se vê na reta final é uma sinfonia da destruição executada no último volume. Até aí tudo bem, a Metrópolis dos quadrinhos é varrida do mapa quase toda quinzena e finalmente temos a tecnologia para simular isso num filme; o problema é quando cruza a fronteira da negligência, atropelando nada menos que a índole do escoteirão. Sua luta contra Faora em Smallville já era um prenúncio do megadeath iminente: além de salvar um ou outro militar (por fins práticos, buscando gerar confiança?), o herói pouco faz em relação aos civis residentes e trabalhadores no local.
No máximo, aconselha um grupelho de coitados a se trancarem nos estabelecimentos - os mesmos que ele e Faora moem durante o quebra, sem preocupação aparente com quem está lá, sejam mulheres, idosos, crianças, pandas, coalas, o que for. Ainda assim foi como um passeio no parque perto do que aconteceu quando Superman e Zod fizeram Metrópolis de octógono.

A tensa sequência em que Perry White (Laurence Fishburne) e mais um sujeito tentam retirar uma colega dos escombros é, talvez, a mais reveladora de O Homem de Aço. Na hora, lembrei de uma cena similar e a mais emblemática de Superman - O Retorno: Lois, seu filho e seu marido contemplando a morte certa presos num barco afundando. Singer estica a virada sadicamente até o limite, arrematando com um gancho que sintetiza, sem que nenhuma palavra seja dita, a essência do Superman. Ou, pelo menos, daquele o qual estávamos acostumados. No novo filme, a coisa é bem diferente. Com uma máquina do Juízo Final bombando a poucos metros dali e com seus esforços se mostrando em vão, em dado momento White decide entregar os pontos e permanecer ao lado da amiga até o fim inevitável. Naquele momento, eles só tem um ao outro e nenhuma esperança. Ninguém virá. E não vem mesmo. Você tem um homem de aço na sua cidade, mas está por sua conta. Sem essa de superamigo.
Agora imagine quantas dessas microssituações dramáticas se deram entre as ruínas de Metrópolis enquanto dois deuses trovejavam no céu e derrubavam mais prédios? Dante Alighieri manda lembranças.
Longe de querer um caos ordenado que se auto-justifica a cada 5 segundos. É óbvio que um evento dessa magnitude faria cadáveres brotarem do chão. Acontece todo tempo nas histórias do herói, ainda que implicitamente, mas sempre administrado por uma atitude protecionista em relação aos frágeis e mortais terrestres. Não de forma que interrompa o fluxo da ação ou da narrativa, mas em breves cenas sugerindo que ele fez o que pôde antes de se dedicar à pancadaria em definitivo - é o padrão desde sempre, nas HQs, nos longas animados e, adivinha, nos filmes com o Reeve. Haviam opções para mover o confronto para outro lugar, como no espaço, onde ele até tentou (só que, infelizmente, sempre caíam nos mesmos lugares... magia do Caos, for sure). O oceano era logo ali. Desertos, cânions e o pólo ártico não eram nem na esquina pra eles.
Se foi inexperiência, compro até certo ponto. Mas fica complicado quando o único civil que Superman se digna a salvar é exatamente a Lois - três vezes durante o filme, sendo a última delas um deus ex machina que coraria até o T. Rex do final de Jurassic Park. Se isso tudo fosse uma análise comportamental sobre ele, como eu deveria interpretar?
E por incrível que pareça, nem menção posterior há aos prejuízos astronômicos e às prováveis milhares de vítimas das ações dos kryptonianos (todos eles). Algo que poderia muito bem ser resolvido de uma forma sutil, emocionante e respeitosa sem gastar tanto tempo ou baixar uma nuvem deprê no contexto PG-13.
O Homem de Aço se compromete com o aspecto humanista e sociológico da situação, mas não segura o rojão. E olha que não sou de nenhum Comitê dos Direitos Humanos dos Seres Vivos Fictícios. Sou fã de cinema-destruição. Rio muito sempre que o Lobo lembra como destruiu seu planeta natal. Darth Vader explodiu Alderaan e tenho um Vaderzinho de chumbo na minha mesa. Meu personagem favorito dos quadrinhos é Galactus. Nenhum deles tenta ser o que não é - ou mais do que é.
Diante disso, ficaria feliz em não ter mais nada a questionar, porém, a vida não é fácil pra quem detesta fazer coro com rebanho moralista. E calhou disso acontecer justamente na cena mais polêmica do filme.

Spoiler?
De um lado, uma linda família caucasiana recém-saída das filmagens de um comercial de margarina. De outro, Superman aplicando um mata leão em Zod, que diz em alto e bom som que vai flambar todo mundo porque Kal-El não tem cojones de aço pra impedi-lo. Além de recorrer a uma imagética vexaminosa de tão apelativa e maniqueísta, a edificante solução encontrada pelo roteiro de Goyer não poderia ser mais populista em sua visão mais primária e obtusa da Justiça, eliminando qualquer fagulha de inspiração e idealização que poderia advir do Superman. Ufa. Como bem disse Brainiac em saga recente, é uma decepção ver um filho de Krypton reduzido a um bruto.
Sério que ele não conseguiu pensar em nada, mesmo com Zod dominado numa super-gravata? O Super mesmo foi nocauteado por Faora e o gigante em dado momento, então isso era possível na lógica do filme. Ele poderia ter apertado mais até o vilão perder os sentidos. Ou, sei lá, socado sua cabeça até conseguir. Depois poderia tê-lo levado até a nave exploradora e buscado intel para contê-lo (radiação do sol vermelho, simulação de atmosfera kryptoniana, etc). Provavelmente até acharia por lá um daqueles pen-drives kryptonianos com o Jor-El backupeado, pronto para auxiliá-lo a despachar novamente o general para a Zona Fantasma. Ou qualquer coisa.
Mas preferiram colocar o Superman matando no primeiro filme da sua muito aguardada reabilitação cinematográfica. Pior, se submetendo ao joguinho de manipulação do vilão, descendo assim ao seu nível. Em algum lugar de uma galáxia distante, Luke Skywalker dá um facepalm.
Ironicamente, soou como um upgrade da infame cena "América para os americanos" do Superman II original. Isso, mais o fato do mundo fora dos EUA ser retratado no filme como uma terra de ninguém terceiro-mundista, constitui uma clara mensagem pra quem se atrever a pisar no quintal gringo. Slavoj Žižek aproveitaria até a raspa desse tacho. Sem medo de soar purista, filme de Super-Homem não é lugar para pregações reacionárias. Não dá pra corroborar com um Superman que age como alguém sem superpoderes, sem perspicácia e sem opções, rendido pela máxima popular do "bandido bom é bandido morto" - com certeza existe mais de um equivalente republicano-redneck disso aí.
O desenlace do final foi igualmente atordoante, no mau sentido, com Clark indo trabalhar no Planeta Diário. É exigir demais da suspensão da descrença. Dá a impressão que Goyer já havia perdido completamente o controle e apressou a conclusão o mais rápido possível para evitar mais danos, tal qual um piloto de airbus que descarta o combustível em pleno ar, certo de que o pouso será de nariz.

O lado positivo disso tudo é que Henry Cavill se sobressai ileso aos carrinhos criminosos do roteiro com uma atuação digna e segura, até mesmo em sua reação após o "inevitável". O que, sem dúvida, foi essencial para a boa química de Clark e sua mãe adotiva, Martha - uma ótima Diane Lane com maquiagem envelhecedora pra chocar os trintões. E eu ainda nem terminei de suspirar por ela em Ruas de Fogo...

Só elogios para a encantadora Amy Adams, que, mesmo sendo jogada de lá pra cá de forma pouco criteriosa, faz uma Lois sexy, atrevida, sagaz, no tom certo de humor - e aparentemente velocista nível mach 10, já que faz o eixão meio-oeste/costa leste norte-americana em tempo recorde.
Foi bem sacada a escalação de Richard Schiff para o papel do Prof. Emil Hamilton, personagem pouco conhecido do público em geral, mas frequente colaborador do herói nas HQs e nas séries animadas. Igualmente para a participação do grande Christopher Meloni como o coronel extrassacudo que chama Faora na chincha não uma, mas duas vezes. Já Russell Crowe apenas não compromete, embora tenha ficado um tanto galhofeiro e fanfarrão nas cenas do Jor-El holográfico. E desceu quadrado o cacete que ele, um cientista, deu em Zod e mais uns capangas no início do filme, mas deixa baixo.
A edição meio truncada e corrida, à Nolan, também não funcionou a contento. Apesar de turbinar a dinâmica, suprime momentos potencialmente emocionais como a cena em que Jonathan revela a cápsula para Clark - numa notável atuação do garoto Dylan Sprayberry, por sinal. E a tão alardeada estreia do "universo compartilhado" da DC nos cinemas foi tímida: limitou-se a um logo-Lex aqui e um satélite Wayne acolá. Pouco pra quem tem a pretensão de reeditar a campanha bem-sucedida da Marvel Studios, ainda mais considerando que o UDC sempre foi mais integrado que a concorrência. Em contrapartida, a justa homenagem ao Christopher Reeve foi arrepiante.
A cena que fecha o filme é evocativa e belíssima. Clark bem menino, brincando no quintal de casa com seu cachorro, em meio aos varais e roupas estendidas. É universal. E ao mesmo tempo, não podia ser mais íntimo. Talvez seja aí que resida a verdadeira força de O Homem de Aço, perdida entre o filme que há muito queríamos ver, o filme que nos foi dado e o espírito e o coração do velho Superman.

Ps: o Luwig fez um fantástico texto sobre o filme com referências e especulações a granel.
FONTE: Black Zombie
terça-feira, 30 de julho de 2013
"O Homem de Aço": Grant Morrison comenta o filme e a sede de sangue
Em entrevista ao jornal USA Today, o quadrinista Grant Morrison deu sua opinião sobre O Homem de Aço e entrou na questão da letalidade, que dominou os debates sobre o filme do Superman.
Se você não viu O Homem de Aço, as declarações abaixo contêm spoilers.
"Eu meio que gostei, e meio que não gostei, pra ser honesto. Senti que é um desses filmes em que a gente fala 'ok, traga logo a continuação agora que já fizeram esse', e eu não preciso disso, enquanto pessoa que sabe tudo sobre Superman como eu sei", disse Morrison, autor que já passou por HQs de Superman, Batman, Liga da Justiça e fez na minissérie Grandes Astros: Superman uma súmula do que ele entende ser o personagem.
"Para mim, [o filme] foi um grande 'já vi isso antes', por mais que eles tenham tornado tudo um pouco distinto. Agora espero a versão Cavaleiro das Trevas do Superman, o próximo filme, em que torço para que Lex Luthor apareça. É um Superman crível, por enquanto, mas quanto ao lance de matar já não tenho tanta certeza...", continua, em referência à morte de Zod pelas mãos do Superman ao fim do filme.
E emenda: "Não quero soar como um saudosista da Era de Prata [das HQs americanas] mas tenho notado muita gente dizendo que Batman deveria matar o Coringa e que o Superman deveria matar também, tomar para si as decisões morais difíceis que todos nós temos que fazer diariamente. Não sei você, mas a última decisão moral que tomei não envolvia matar ninguém. Na verdade, quanto mais você pensa sobre isso - a não ser que você seja parte das Forças Armadas - matar é ilegal e imoral. Por que nós desejaríamos que os nossos super-heróis fizessem isso?".
"Que sede de sangue bizarra é essa em ver nossos super-heróis matando os vilões?", pergunta por fim.
Fonte: Omelete
domingo, 21 de julho de 2013
"O Homem de Aço 2": Warner confirma filme do Superman e Batman juntos
O novo Batman ainda não foi contratado, mas o filme já está em pré-produção, com a criação do roteiro em andamento, e as filmagens estão marcadas para começar em 2014.
[Assista o vídeo do painel]:
Zack Snyder e David S. Goyer estão confirmados no filme, com Henry Cavill voltando ao papel do Superman. Christopher Nolan voltará como produtor-executivo.
Durante a festa em homenagem aos 75 anos do Superman, David S. Goyer falou sobre o novo filme: "Ainda não sabemos como vamos chamar - Superman versus Batman, Batman versus Superman - mas esses caras estarão no filme, isso está acontecendo". O roteirista também comentou como o polêmico final de O Homem de Aço repercutirá no novo filme: "Até certo ponto, Superman, cinematograficamente, não havia sido reinventado até os filmes de Donner. Vamos lidar com isso no próximo longa. Ele ainda não está totalmente formado [em O Homem de Aço]; Ele precisará lidar com as consequências no próximo filme".
Henry Cavill fala sobre o que espera do encontro entre Superman e Batman no cinema
Nos quadrinhos, os dois heróis vão unir forças em uma nova série, Batman/Superman, escrita por Greg Pak e desenhada por Jae Lee.
Também eram esperados os anúncios do filme do Flash para 2016 e do longa da Liga da Justiça para 2017, mas o estúdio não confirmou as produções.
Fonte: Omelete
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domingo, 14 de julho de 2013
"O Homem de Aço" - Minhas primeiras impressões

Fui ao shopping hoje [14/07/2013] com minha noiva linda, Aline, e assistimos o filme no cinema! (Era para vermos no próximo fim de semana, mas não aguentei esperar rsrs) Depois de quase 1 hora na fila para comprar os ingressos, conseguimos os tão disputados ingressos!
Quase que tivemos uma situação desagradável dentro da sala: os corredores e cadeiras são todas numeradas. Escolhemos a fila G, poltronas 11 e 12. Porem, havia alguém sentado na cadeira 12 e eu, como fã do Superman e ansioso para assistir esse filme, tava me segurando pra não partir pra ignorância, mas graças a Deus, acabou tudo se resolvendo numa boa.
Bem, depois desse "prologo", vamos ao filme em si... [CUIDADO! TEM SPOILERS!]
Que introdução foi aquela em Krypton? Fiquei com os olhos arregalados e vibrando com aquela sequencia de cenas, apresentando uma Krypton totalmente remodelada, meio futurista, meio medieval. Cenários e efeitos espetaculares! E Jor-El? Cara, simplesmente demais ele partindo pra ação, batendo nos soldados e ainda vencendo no mano a mano com Zod! Curti pra caramba! Russel Crowe estava muito bem e foi incrível ver uma versão mais heroica do personagem!
Pula pra muitos anos depois, Clark na Terra e vagando por ai, sob nomes falsos, trabalhando em serviços diferentes (pescador, garçom, etc) e salvando pessoas, tudo entrecortado entre os flashbacks, que vão desde sua infância ate a fase adulta.
Bem, nessa parte....confesso que não achei das melhores. Acho que, se queriam apresentar o personagem ao novo publico, deveriam ter contado tudo, desde pequeno descobrindo seus poderes, salvando pessoas ate chegar aquele momento da vida dele - sem ter de usar flashbacks para isso. Confesso que, pra mim, isso atrapalhou um pouco a narrativa. Mas, com certeza, a cena mais emocionante destes, é no tornado, quando Jonathan Kent (Kevin Costner) se sacrifica para proteger o segredo de Clark, e este assiste o pai adotivo morrer, sem fazer nada. Nesse momento, eu achei ESSA familia Kent muito fria. Tanto Jonathan e Martha eu achei meio secos nesse filme. E Clark, anos mais tarde, lembrando a morte do pai com certa conformidade e frieza.... achei muito estranho. O Clark de "Smallville", por exemplo, jamais aceitaria o sacrifício do pai e o teria salvo.
Outra coisa que não curti muito foi Lois já saber do segredo dele desde o inicio! Isso foi algo que eu não curti em "Smallville", quando Lois descobriu a identidade dele, antes mesmo de se tornar o Superman - e aqui, eles repetiram isso.
*Alias, como tem atores coadjuvantes de "Smallville" no filme! Alem de Amy Adams (que foi uma afetada por meteoro comedora-de-gente na 1ª temporada da serie, e aqui é a mais nova Lois Lane), Alessandro Juliani (o ator que fazia Dr. Hamilton na serie - aqui, um militar) e Mackenzie Gray (o clone de Lex Luthor em 10x01 "Lazarus" - aqui, o kryptoniano Jax-Ur), tem também David Paetkau (que interpretou o Oficial Danny Turpin no episódio 8x12 "Bulletproof" de "Smallville", mas que já havia participado do episódio 1x03 "Hothead" como Trevor Chapell) - aqui ele faz um militar da sala de controle (e é ele quem fala "Superman" pela primeira vez no filme).
alem daquele guarda-costas da Tess Mercer na 8ª e 9ª temporadas. Aquela atriz também que, se não me engano, fez a vendedora de doces em "Persuasion", da 9ª temporada (no filme, como a garçonete no bar onde Clark trabalhou).
Também David Lewis (ator que foi o Dr. Marcus em 2x22 "Calling" e mais tarde o joalheiro sequestrador-de-casais do episódio 8x05 "Committed" na série "Smallville"). Não recordo exatamente o papel dele no filme.
E, por ultimo, Tahmoh Penikket, que participou de "Smallville" em 3 episódios (a primeira aparição foi no episódio 3x15 "Ressurection", interpretando Vince Davis; e depois retornou na 6ª temporada nos episódios 6x19 "Nemesis" e 6x21 "Prototype", interpretando o soldado morto-ciborgue Wes Keenan) - aqui, ele é um dos agentes que recebe Lois no Ártico.
(Acho que tem mais alguém ainda, mas no momento não to lembrando).
Bem, falei dos pontos negativos que me incomodaram, mas não pensem que não gostei do filme. Gostei sim. As cenas de ação são espetaculares! Tanto as de Krypton, quanto na Terra, com Superman caindo no braço com os kryptonianos e, principalmente, a luta final entre Superman e Zod.
(Aquela cena em que Zod ameaça Martha, e o Superman surge voando velozmente, arrastando o vilão e soqueando-o sem parar na cabeça, enquanto grita "Você acha que pode atacar a minha mãe?" - eu me arrepiei, coração foi a mil e, na minha cabeça, eu dizia "UOOOOW! ESSE é o Superman!"
Ainda estou digerindo o filme.... É tudo bem corrido e, se você piscar, pode ate perder algum detalhe, mas o filme é muito bom!
A verdade é que fizeram muitas mudanças em relação ao material original, algumas coisas no filme eu ainda não consegui engolir - e talvez nem consiga (como, se a nave com todos os kryptonianos explodiu ou sumiu, sei la, não entendi direito o que foi aquilo, porque SÓ e JUSTAMENTE SÓ o Zod escapou? Coincidência? Ou furo mesmo? Bem, tinha que ter uma luta final, não é? rsrs
O confronto final entre eles ficou muito show, principalmente nas cenas em que eles lutam sobrevoando os prédios de Metropolis a noite. E sobre o final polemico... ele tentou, tentou mesmo, insistiu para que Zod parasse com aquela insanidade. Não houve jeito! Era uma questão de vida ou morte. Sem outra alternativa. Ele fez o que era preciso. Isso não o diminuiu ou descaracterizou em nada, no meu ponto de vista.O HOMEM DE AÇO é.... "diferente". Diferente de tudo que conhecemos do Superman. É um novo começo. Uma adaptação nova e diferente, assim como tantas nos quadrinhos e ate em "Smallville" foi. Como eu disse, ainda estou digerindo, preciso colocar o que vi em seus devidos lugares. Não sei dizer se foi o melhor filme do Superman, se depender das cenas de ação, sim! Mas, com certeza, é melhor que "Superman III" e "Superman - O Retorno".
E....a verdade é que, se eu pudesse, eu assistiria o filme de novo, AGORA!
Ate minha noiva, que não é muito chegada em filmes de super-heróis (ela gosta dos filmes do Homem-Aranha), disse que gostou bastante e já queria saber quando vai ter a continuação e que acha que esta virando fã do Superman também (como eu amo ela! ♥)
OUTROS PONTOS A COMENTAR:
* Não vi referencia nenhuma a Lex Luthor! Disseram que ele seria mencionado, da mesma forma que Norman Osborn foi em "O Espetacular Homem-Aranha". Ou cortaram isso, ou quem disse isso tava 'viajando'.
* Sobre os easter-eggs, confesso que não vi quase nenhum! Talvez por passarem rápidos demais, ou eu estar tão concentrado na ação, que acabei ignorando isso. Não vi o tal letreiro da LexCorp. Eu aaaaaacho que vi o "W" (de Wayne Interprises) no satélite, mas com muuuuita forçação de barra!
Só vi mesmo foi a placa "Sullivan" num prédio em Smallville.
* Eu não podia deixar de comentar isso............... Se em "Smallville" Clark levou a serie inteira (10 anos) para se tornar o Superman, em "O Homem de Aço" o Superman levou o filme inteiro para se tornar 'Clark Kent'! rsrs
* CHEGA LOGO EM DVD!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
"O Homem de Aço": Zack Snyder fala sobre o polêmico final
Um dos momentos mais controversos de O Homem de Aço é a batalha final entre Superman (Henry Cavill) e o General Zod (Michael Shannon).
[SPOILERS] Se você já assistiu ao filme ou sabe o que acontece, siga lendo. Do contrário, saiba que a entrevista a seguir discute o fim do longa-metragem.
Questionamos Zack Snyder, o diretor do filme, durante nossa entrevista exclusiva em Los Angeles sobre a decisão de mostrar o super-herói - até hoje um dos grandes símbolos do altruísmo, benevolência e a incapacidade de matar - assassinando seu oponente.
"Na verdade, a primeira versão era bem diferente", revela o cineasta. "O roteiro original terminava com Zod voltando para a Zona Fantasma e desaparecendo. E eu disse 'não, o Superman tem que matá-lo'. Ele tinha que matar porque o mundo não é mais o mesmo que era quando ele foi criado - ou quando o primeiro filme saiu. A inocência acabou".
Para Snyder, força nenhuma no mundo pode prender Zod. "Não há o que fazer com ele. Isso muda o Superman de maneiras que o tornam muito mais interessante. Ele ficou mais vulnerável e mais humano. Matar Zod tem um impacto maior no Superman do que não matá-lo. No final, o Superman que termina nosso filme nunca existiu antes. E desenhamos o clímax de forma a não dar qualquer alternativa a ele", segue, referindo-se ao dilema que Clark Kent/Kal-El tinha: matar Zod e salvar um grupo de pessoas ou prendê-lo e ver mais vítimas do kryptoniano que ele poderia ter salvado?
Snyder, porém, tem uma carta na manga em relação à honestidade do personagem. "Ao optar pelos humanos em detrimento dos kryptonianos, de certa forma ele nunca desrespeitou as leis terrestres. Zod é um alienígena e não temos leis para o assassinato de nada não-humano na Terra. Tecnicamente é um truque nosso com o cânone", completou.
Vale lembrar, porém, que não é a primeira vez que Superman mata em uma história. O próprio General Zod (e dois asseclas) de outra dimensão foram mortos pelo herói usando kryptonita em Superman #22 (outubro de 1988). O monstro Apocalipse também foi morto pelo Superman - mas voltou à vida depois - na série A Morte do Superman. Mais recentemente, a versão "Novos 52" do kryptoniano matou parademônios, que foram estabelecidos como criaturas inteligentes. Nesse mesmo universo, ele desferiu um golpe fatal em uma humana possuída (Superman #3) para impedi-la de destruir Metrópolis - no processo, apenas a entidade que a manipulava morreu, mas Superman não sabia que isso aconteceria. Outras criaturas e personagens foram mortos pelo Homem de Aço em sua longeva história, mas a grande maioria em arcos ambientados em realidades paralelas ou outras mídias. No game Injustice, por exemplo, o Kal-El do futuro faz inúmeras vítimas. O Superman assassino, portanto, não é uma exclusividade de O Homem de Aço.
Fonte: Omelete
terça-feira, 9 de julho de 2013
Poderemos ver Apocalypse na sequência de "O Homem de Aço"?
Em uma entrevista com o diretor Zack Snyder e o elenco de "O Homem de Aço" foi perguntado sobre o inimigo mais mortal de Superman, Apocalypse.
Poderíamos vê-lo já na continuação? Parece que tudo é possível.
Quando foi perguntado à Snyder se ele acha que seria a hora certa de “liberar Apocalypse”, o diretor sugere que sempre há uma possibilidade agora que O Homem de Aço abriu as portas para o universo cinematográfico da DC. A atriz Amy Adams (Lois Lane) acha que Apocalypse seria legal (sugerindo que Lex Luthor poderia introduzir o personagem), mas que prefere Bizarro. Michael Shannon (General Zod) admite que ainda que já tenha ouvido falar sobre "A Morte de Superman", nunca chegou a ler os quadrinhos, e Henry Cavill (Superman) simplesmente espera que aconteça e acha que seria incrível.
sábado, 6 de julho de 2013
"O Homem de Aço" é o reboot de super-herói mais visto da história
O estouro de O Homem de Aço continua, agora com o filme conquistando um importante título: já é o reboot de super-herói mais bem sucedido do cinema.
Nesta semana, a volta de Superman atingiu a marca de US$ 263,6 milhões nos EUA, ultrapassando a bilheteria doméstica de outros reinícios de franquia como O Espetacular Homem-Aranha (US$ 262 milhões) e Batman Begins (US$ 206 milhões).
Pelo mundo, O Homem de Aço já faturou US$ 535 milhões. O longa chega ao Brasil em 12 de julho.
Fonte: Nerdice
terça-feira, 2 de julho de 2013
"O Homem de Aço": Entrevista com Zack Snyder
O Homem de Aço está de volta às telas com uma história que busca reestabelecê-lo como o maior herói da cultura pop. Para Zack Snyder, o diretor do filme, para conseguir isso era necessário voltar mais uma vez ao princípio. "Não entramos nesse projeto necessariamente pra contar a história de origem do Superman, mas tivemos que mostrá-la porque nossa ideia inicial envolvia esse supercara tomando um monte de decisões definitivas, que ninguém entenderia se não tivessem o acompanhado em sua vida", comentou ao site brasileiro Omelete durante entrevista exclusiva em Los Angeles.
"Era necessário estar com ele no momento em que seu pai adotivo, Jonathan, ensinava suas lições de vida. Era necessário conhecer Krypton e saber tudo o que estava em jogo ali e entender exatamente o que Jor-El, o pai biológico, sacrificou. Sem essa informação perderíamos uma dimensão da narrativa", diz.
Henry Cavill e Zack Snyder nas gravações no set
Mudanças na história do Superman
Parte do interesse do filme é explorar a humanidade contra a parcela extraterrestre do herói. "Nosso Superman é humano. Ele nasceu em Krypton, mas é humano, assim como todas as suas relações. Ele pode ter superpoderes, mas no final as pessoas pelas quais ele se sacrificaria são humanas. Ele se vê como humano", explica. "Mas nós ficamos obcecados com o tema da invasão alienígena e com o fato de ele - biologicamente - não ser humano. É estranho que pouquíssimas obras até aqui tenha explorado isso, o fato de ele ser um alien e ninguém falar nada a respeito. É estranho. Então quisemos escancarar esse lado. Basicamente, há um alienígena vivendo entre nós. Quais as implicações para a humanidade desse fato? Ele é a prova de que não estamos sozinhos no universo".
Para o diretor, quanto maior o desafio, maior o interesse. Snyder diz que tem plena consciência que Superman é um ícone com uma mitologia conhecida e bem definida - mas que isso não significa que a produção não deva tentar mudá-lo de alguma maneira, adequando-o ao nosso tempo. "A inocência acabou", lamenta. "Além disso, você tem que depender dos seus próprios instintos. Se eu fizesse um filme exclusivamente para agradar os fãs, não surpreenderia ninguém. Não entro online para saber o que estão falando ou achando, isso seria suicídio. Pelo menos não durante a produção".
Isso não significa, porém, que não continuem sendo os quadrinhos a grande fonte de pesquisa. "Todos os quadrinhos do Superman nos influenciaram. Grant Morrison [e seu Grandes Astros Superman] foi uma influência forte. Até o Superman de Frank Miller foi uma influência. Você sabe que sou um dos maiores fãs dele. Eu sempre releio as coisas que ele escreveu, mesmo que seja pra mudar tudo. Frank é muito honesto com super-heróis. Muita gente, especialmente quem gosta de super-heróis e quadrinhos, eu inclusive, costuma se justificar demais quando esse é o assunto em pauta. Frank não faz isso. Escreve e pronto, sem meias palavras".
Outra mudança importante foi a icônica roupa do herói. "As mudanças no uniforme foram derivadas da nossa intenção de amarrar o design de Krypton como um todo. Pensamos nele como um traje kryptoniano comum, que se você usasse por lá não seria bizarro. É uma cultura em que as capas estão no cotidiano. Eu adoraria que usássemos capas aqui também... seria legal", brinca. "A mitologia do uniforme até hoje envolveu coisas como Martha costurando-o a partir do cobertor em que ele veio enrolado para a Terra ou como uma roupa comum, tornada simplesmente indestrutível pela aura de invulnerabilidade dele. O nosso é de krypton e pronto. Mais simples".
Uniforme "made in Krypton"
Ação e efeitos em O Homem de Aço
Quanto à ação explosiva do filme, Snyder comenta que adora filmes assim e que em Homem de Aço pegou várias das técnicas desenvolvidas em Sucker Punch - Mundo Surreal e as levou ao limite. "Especialmente as técnicas que envolvem dublês digitais e as barreiras entre eles e os atores reais. Sinceramente, acho que os dias quando você amarrava um ator em cabos e o fazia voar acabaram. Assim como os velhos truques de colocar um carro em um guindaste e colocar o cara sob ele, fingindo que está pesado. Não funciona mais. O lado da física está simplesmente errado. O problema com o Superman é que tudo o que ele faz é um efeito especial, seus movimentos, seu voo, as lutas... quando toda a equipe comprou a ideia, ficou mais fácil. Nos libertamos para pensar em coisas maiores".
"Mesmo assim, acho que você ficaria surpreso em ver o quanto da Batalha de Smallville foi feito com efeitos práticos", continua. "Os atores também precisam de ambientação - e fornecemos a eles toda a devastação necessária. E a propósito, todas as batalhas que vocês viram são, literalmente, metade do que tínhamos previsto originalmente".
O futuro de Superman nas telas
Snyder e os roteiristas Christopher Nolan e David Goyer criaram um mundo para esse primeiro filme ainda isolado do sonhado Universo DC das telas. Mas isso não significa que ele não será integrado depois. "Criamos esse mundo de forma a poder ampliá-lo. Não tem kryptonita nem Lex Luthor neste filme, por exemplo, mas esses elementos existem. Você viu os logos da Lexcorp e da Wayne Enterprises... tem coisas por aí. Há muitas possibilidades para o próximo filme".
Mas isso significa que o herói vive em um mesmo universo que outros personagens da DC Comics ou ficará restrito, como o Batman o foi na trilogia O Cavaleiro das Trevas? "O Superman ainda precisa amadurecer mais antes de um filme da Liga da Justiça. Ele precisa aparecer sozinho novamente antes de colaborar com outros ou coisa assim. Ainda há muito a ser desenvolvido nele - especialmente porque não existe Liga sem Superman", enfatiza o diretor. "Ele precisa sabe exatamente quem é e o que faz, ser o herói que conhecemos. Já ouvi propostas que falam de Liga da Justiça sem o Superman e eu acho que é papo de doido".
Com um segundo filme confirmado, Snyder empolga-se com as possibilidades. "No momento, tudo é interessante. Juntá-lo com o Batman antes da Liga, sei lá. Tudo é possível agora. E Lex está por aí, fazendo sabe-se lá o quê. Não se esqueça disso!"
Fonte: Omelete
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Superman - O Homem de Aço
sábado, 29 de junho de 2013
"O Homem de Aço": Critica do site Cinematographe
(Por André Dick)
A desilusão com Superman - O Retorno de Bryan Singer em 2006 foi tão grande que a franquia acabou sendo deixada de lado pela Warner, até se encontrar uma possibilidade de retomá-la (imagina-se se teria sido melhor a versão planejada por Tim Burton, com Nicolas Cage, antes daquela de Singer). O grande problema parecia ser a comparação com a primeira série, cujos dois episódios, de Richard Donner e Richard Lester, eram referenciais para os filmes de super-heróis feitos a partir de então. Mas também porque Singer não conseguiu delinear um Superman para o público, preferindo situá-lo apenas como um indivíduo em busca da explicação para sua existência. Se a parte técnica do filme era respeitável, o mesmo não se podia dizer de sua falta de ação, a ponto de se desconfiar se era um filme de super-herói. Além disso, Kevin Spacey destoava como Lex Luthor, pelo menos quando comparado a Gene Hackman, e tanto Brandon Routh (Superman) quanto Kate Bosworth (Lois Lane) tinham dificuldade em trabalhar o roteiro. No início desta década, a Warner decidiu retomar a franquia, apagando o nome Superman e intitulando O Homem de Aço, desta vez a cargo de outro diretor, com novos roteiristas e atores.
Se as lições no que diz respeito à ação foram aprendidas com a versão desanimada de Singer, e atores melhores foram colocados nos papéis principais, O Homem de Aço tenta contrabalançar toda sua expectativa com doses maciças de movimento, ao mesmo tempo com uma tentativa de humanizar o personagem que remete a filmes mais contidos.
A primeira impressão é a visual, e parece que a paleta de cores frias foi um risco – independente de os primeiros filmes serem dos anos 70 e 80, uma época considerada mais ingênua, e o atual existir em meio a acontecimentos deste século. O primeiro Superman teve a fotografia de Geoffrey Unsworth (2001: Uma Odisseia no Espaço), e este possui o trabalho de Amir Mokri, mais conhecido por parcerias com o diretor Michael Bay, tornando a textura de algumas imagens parecida com a dos filmes Transformers. Quando acerta, e cria uma amplitude especial para os cenários, destacam-se as cores cinza e azul, com um tempo quase sempre chuvoso, úmido, sobretudo quando mostra a infância de Superman, trazendo imagens que lembram A Arvore da Vida, mas que não chegam a contrastar com o restante, além de luzes em ambientes escuros.
Com essa escolha, ainda temos o design do filme. Desta vez, Krypton é uma mistura entre os ambientes de Matrix e, sobretudo, de H. R. Giger (da série Alien), e ainda da Terra média, o que acaba prejudicando a desvinculação do filme dessas referências claras e tirando do filme seu impacto inicial, a não ser em imagens excepcionais na água (remetendo novamente a A Arvore da Vida). Não se trata, nesse caso, de reproduzir os dois primeiros filmes do Superman, mas dar um visual menos denso e derivado ao filme (as cores do Superman, afinal, também são icônicas para uma certa pop art). De qualquer modo, pode-se imaginar essa escolha para que se deixasse o filme parecido com um ambiente da Roma Antiga, inclusive nos cortes de cabelo e do figurino, e no fato de que, aqui, o herói surge como um Messias que pode ameaçar os rumos de um ditador.
O filme (alguns spoilers a partir daqui) inicia da mesma maneira que o original, de 1978, com Jor-El (Russell Crowe, lembrando Gladiador) e sua mulher Lara (Ayelet Zurer), colocando Kal-El num berço em formato de espaçonave, antes da destruição de Krypton, e o envio para o espaço do General Zod (Michael Shannon). À medida que o berço espacial cai na Terra, já se mostra o personagem, chamado Clark Kent, adulto, viajando pelo país, trabalhando nos lugares mais inóspitos, enquanto cada ação recorda um momento da infância, com seus pais, Jonathan Kent (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) – certamente, os atores mais humanos do elenco, ao lado daqueles que fazem Clark quando criança, Cooper Timberline e Dylan Sprayberry (ambos ótimos). Numa estação do Ártico, ele vai conhecer Lois Lane (Amy Adams). Embora Znyder conte com a excelente montagem de David Brenner – e ela torna orgânica essa transição do presente para o passado, inovando em relação às versões anteriores –, ele não estabelece uma ligação mais clara entre os personagens. Num primeiro momento, torna-se difícil entender por que a aproximação de Clark e Lois não acontece de modo mais lento, pois era este detalhe que tornava o espectador suficientemente próximo deles do filme de 1978 – depois, percebe-se que o objetivo era centralizar especificamente na ação.
Para um filme de 143 minutos, no entanto, falta uma transição entre as passagens: tudo soa um tanto abrupto (imagina-se, certamente, uma pilha de material na sala de edição). Também não há proximidade na apresentação dos componentes do Planeta Diário, como o chefe de Lois, Perry White (o competente Laurence Fishburne); parece que Snyder tinha receio de repetir a lentidão de Singer e tentasse acelerar mesmo o que acaba não sendo, de fato, mostrado. E torna-se difícil aceitar por que o personagem central simplesmente parece reduzir sua primeira participação ao fato de querer ajudar o exército dos Estados Unidos, com um tom triunfalista, que, se o uniforme não esconde, pelo menos na série universal era atenuado por humor (em determinado momento, o Coronel Nathan Hardy (Cristopher Meloni), depois de ver o herói destruir quase toda Smalville durante um combate, lamenta por não ter visto que ele na verdade é um amigo, não um inimigo).
Não é uma característica de Snyder, responsável pelo cansativo 300 e pelo visualmente interessante Sucker Punch, além de ter adaptado Watchmen, o humor, assim como não é um elemento que o roteirista David S. Goyer e o coargumentista Cristopher Nolan (responsável pela trilogia Batman), também produtores, têm em mente ao criarem seus filmes. Nolan, especialmente, costuma apresentar diálogos em muitos momentos expositivos – mas aqui, especialmente, se percebe a falta do seu irmão, que ajudou a fazer os roteiros da trilogia de Batman. Apenas nos momentos em que Jonathan e Clark Kent estão em cena, ele consegue traduzir uma espécie de humanidade do personagem de Clark, assim como em certa mitologia do ser perseguido por reunir em si a genética de seus descendentes. Há algumas escolhas estruturais que lembram especialmente Batman Begins. O personagem de Clark Kent, não por acaso, viaja pelo país, sofrendo, assim como Bruce Wayne em Batman Begins, e não por acaso a mocinha parece deslocada – nunca foi o forte de Nolan a concepção de um idealismo romântico. Do mesmo modo, enquanto o Batman realista de Nolan agia sempre com a polícia e o Inspetor Gordon, aqui o Superman parece integrar o exército mesmo antes de revelar todos os seus poderes. O tom contra a destruição de Gotham City era o mote em Batman; aqui o tom é contra a destruição da Terra, de aceitar que os humanos merecem sobreviver. Mas fica faltando o elemento humano: a Terra é ameaçada, mas parece que a população não se refere ao herói, criando um afastamento decisivo. Assim como Star Trek e outras produções recentes, há uma cota de referências ao 11 de setembro, lembrando em outras partes (não foi, diga-se, uma boa lembrança) Independence Day e Godzilla, de Roland Emmerich, em algumas cenas-chave, e, em seus melhores momentos, Guerra dos Mundos. O melhor, nesse diálogo entre filmes, é que há uma série de referências a Contatos Imediatos do Terceiro Grau, como a origem do Superman escondida embaixo de uma montanha do Ártico, quando ele volta à noite para ver sua mãe e entra pela porta a fim de ver a TV (como a do menino de Contatos imediatos), a aproximação da nave de Zod em meio a árvores, um retrato de Clark quando menino ao lado do pai e de uma montanha como aquela em que as espaçonaves descem no filme de Spielberg para encontrar o personagem de Richard Dreyfuss.
Nesta ação ininterrupta – e aqui o tratamento é exatamente de Snyder, já que Nolan não segue uma linha frenética –, a atuação de Henry Cavill é interessante, sobretudo porque tenta outro caminho que não o de Reeve (seguido por Brandon Routh, de Superman – O Retorno), e se Amy Adams não recebeu alguns diálogos a mais para justificar a ligação com o herói mostra-se novamente boa atriz. Na verdade, os dois têm um vínculo mais claro do que o casal de Superman – O Retorno, mas Snyder tira a sutileza que poderia haver na sua proximidade, tornando a faceta mais romântica deste filme quase ausente.
Por outro lado, existe, pela primeira vez, uma visão mais física dos poderes do herói, como o voo, assim como a ligação com os quatro elementos da natureza. Da água, passando pelo fogo, até a terra e o ar, sobretudo numa sequência-chave, considerada por alguns absurda, mas adequada ao contexto do filme, de que o herói, mais do que de aço, é uma composição da força da natureza, O homem de aço apresenta uma simbologia. Os efeitos especiais são extraordinários, ainda que a maneira como alguns deles são apresentados traga a lembrança de atos terroristas, assim como em Homem de Ferro 3 (não em Star Trek, cuja abordagem é mais discreta): parece que dentro da fantasia se quer tornar o ambiente pesado, extraindo a energia necessária para o envolvimento decisivo entre os personagens e, quando o herói fala em esperança para um grupo de militares, temos a impressão que ele está falando também como presidente dos Estados Unidos, o que soa irremediavelmente deslocado.
Há, com essa temática de fundo realista (o terrorismo), a presença de referências religiosas, e Snyder não é exatamente sutil ao abordá-las. Superman em vários momentos é comparado à figura de Jesus Cristo, inclusive no momento em que ele está na água com os braços abertos e de barba, ou quando diz que pode curar Lois Lane de um determinado ferimento, ou quando vai até uma igreja e um vitral da figura de Jesus é visto ao fundo, projetando-se ao lado dele. Mas nada, nesse sentido, se compara ao fato de que algumas vezes é referida sua idade: 33 anos. Isso acaba trazendo uma analogia ostensiva, que parece ser encaixada para tentar oferecer uma certa profundidade temática ao personagem de Jerry Siegel e Joe Schuster. Ela consegue ser melhor encaixada quando se visualiza seu nascimento, com a perseguição em seguida de uma espécie de cúpula rebelde que pretende tomar Krypton como a Roma Antiga, e sua infância, quando, num momento aterrorizante, se vê como Clark foi descobrindo, aos poucos, seus poderes.
Por toda a expectativa que criou, embora O Homem do Aço fique afastado das possibilidades que apresentava, como filme de ação funciona e diverte (mesmo com suas lacunas de roteiro), e nunca é entendiante (como alguns momentos de Homem de Ferro 3), mantendo a ação pelas idas e vindas do tempo, trazendo alguns acréscimos à mitologia do Superman (destaque-se a trilha sonora de Hans Zimmer). A questão é que depois de toda a grandiosidade buscada aqui torna-se complicado trazer a série para um movimento não apenas de blockbuster com ação frenética, mas como estudo de um personagem de quadrinhos que fascina desde sua criação. Parece que realmente, depois das experiências com Singer e Snyder, que Superman, ao contrário da série Batman, que teve Tim Burton à frente de uma franquia e Nolan à frente de outra, não tem conseguido diretores autorais, com, entre qualidades e defeitos, uma visão mais sensível. Quando está em movimento, O Homem de Aço impressiona, mas quando precisa lidar com os personagens o fato é que deixa o espectador nostálgico.
Man of Steel, EUA, 2013 Direção: Zack Snyder Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Russell Crowe, Michael Shannon, Kevin Costner, Diane Lane, Antje Traue, Ayelet Zurer, Cristopher Meloni, Laurence Fishburne, Cooper Timberline, Dylan Sprayberry Produção: Charles Roven, Christopher Nolan, Deborah Snyder, Emma Thomas Roteiro: David S. Goyer, Cristopher Nolan Fotografia: Amir Mokri Trilha Sonora: Hans Zimmer Duração: 143 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: Atlas Entertainment / Legendary Pictures / Warner Bros. Pictures
NOTA: 3,5 /5
Fonte: Cinematographe
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Superman - O Homem de Aço
quinta-feira, 27 de junho de 2013
"Smallville": Michael Rosembaum deseja interpretar Lex Luthor na sequência de "O Homem de Aço"!
É quase uma certeza que um certo inimigo careca bastante familiar de Superman aparecerá na sequência de O Homem de Aço.
Enquanto que a lista de possíveis atores para Lex seja enorme, incluindo nomes como Bryan Cranston, Billy Zane e até mesmo Leonardo DiCaprio, um nome que não foi visto muito por aí é do próprio veterano Michael Rosenbaum!
Bem, o ator em questão oficialmente se ofereceu para o papel e está pedindo a ajuda dos fãs de Superman (escreva #RosembaumForLexLuthor em seu Twitter)! Rosenbaum postou hoje em seu Twitter, fazendo uma menção ao ator de Breaking Bad, Bryan Cranston, para continuar onde está.
Aparentemente o nome mais ‘forte’ até o momento parece ser Mark Strong (sem piadinha), mas como vocês se sentiriam em ver Rosenbaum retornar ao seu papel de Smallville na sequência de O Homem de Aço?
Não deixem de comentar!
Fonte: Legiao dos Herois (via CBM)
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Superman vs Batman
terça-feira, 25 de junho de 2013
"O Homem de Aço": Critica do site Omelete
O Superman teve uma jornada difícil nas telonas. Depois dos cultuados seriados cinematográficos dos anos 1940, os dois primeiros filmes com Christopher Reeve são aclamados até hoje como duas das melhores adaptações de quadrinhos de super-heróis para o cinema. A seguir, o ator estrelou dois dos mais controversos filmes do gênero, mas permaneceu para sempre no imaginário dos fãs de como o personagem deveria ser no cinema (e mesmo nos quadrinhos). Com isso em mente, Bryan Singer fez um incompreendido filme-homenagem que desagradou a maioria especialmente pela sua falta de fisicalidade - algo essencial para o maior herói de todos.
Anos depois, satisfeita com o sucesso da trilogia Cavaleiro das Trevas, a Warner Bros. deu carta branca ao produtor Christopher Nolan para que ele produzisse um novo rumo nas telonas ao primeiro de todos os super-heróis. Ainda que a necessidade de se explicar do cineasta (aqui muito menos incômoda que em seus filmes anteriores) continue presente, diferente do que muitos imaginavam, porém, Nolan não fez pesar sua mão em O Homem de Aço, que nada tem de "sombrio", herdando do realizador apenas o realismo que sempre o interessou.
Chamado para dirigir, Zack Snyder - de certa forma traumatizado com o resultado de Sucker Punch, em que mergulhou em seu próprio estilo -, tenta desesperadamente não ser ele mesmo, emulando outros cineastas com seu filme. Comparar os flashbacks em Smallville com o trabalho de Terrence Malick (A Árvore da Vida) é obrigatório, com o alienígena crescido na Terra contemplando a beleza da vida e explorando os EUA. São nessas cenas que o público consegue se relacionar com Clark Kent (Henry Cavill), vê-lo não como um alienígena, mas como alguém com sentimentos tão comuns quanto os seus.
A seguir, O Homem de Aço pega emprestado brinquedos da caixa de J.J. Abrams, enchendo a tela com "flares" e brilhos que fariam a Enterprise empalidecer. A ação e urgência, somadas à câmera na mão, lembram o trabalho do diretor de Além da Escuridão - Star Trek e Super 8.
Isso tudo combinado a um resquício do estilo do próprio Snyder, que filma lutas como ninguém, com seus takes mais longos e físicos, privilegiando o impacto. Aqui, não só Kal-El (Henry Cavill) parte para a porrada, como até seu pai, Joe-El (Russel Crowe, ótimo), abandona a fachada de cientista calmo para revelar-se um sujeito cheio de recursos e capaz de tudo para defender a família e o planeta. Completa o mix aquele visual dessaturado, um tanto bruto e sisudo, que Nolan tornou tão popular em O Cavaleiro das Trevas. Não é difícil imaginar os dois heróis juntos no cinema, afinal, e já surgem pistas de que isso pode acontecer.
Contado em fragmentos, com boas elipses (o corte que acontece depois da queda da nave no Kansas é surpreendente) e flashbacks emotivos, O Homem de Aço não é um filme de heróis típico. Entre cenas que buscam emotividade, permite-se explosões de fisicalidade e grandiloquência no melhor estilo Os Vingadores (um dos asseclas do General Zod é o Hulk perfeito) com direito a momentos que lembram a devastação épica de Transformers 3 e as lutas da série animada Dragon Ball Z, com deuses se engalfinhando e cidades caindo no processo. Tudo isso embalado pela trilha de Hans Zimmer, que nada ecoa o clássico tema setentista de John Williams, acrescentando urgência ao filme.
O resultado parece um dos filmes mais caros já criados, prova de que a Warner Bros. acredita na visão de Nolan e Snyder e no lugar que seu maior super-herói deveria recuperar nas bilheterias e no imaginário pop.
Entre esses arroubos épicos, há um filme menor ali, sobre um homem em busca de sua própria identidade, alguém em uma jornada de autoconhecimento que o levará a diversos cantos dos EUA, tendo como bagagem apenas os valores dos pais. O roteiro de Nolan e David S. Goyer é bastante claro na maneira como vê o Superman. Como nas análises clássicas, aqui ele é o messias, o enviado à Terra para guiar-nos, incompreendido e temido pelas forças vigentes. Há pelo menos três passagens que não deixam margem a dúvidas: Superman é Jesus Cristo em O Homem de Aço (o vitral da igreja, a menção à idade e a partida cruciforme da nave de Zod) e as implicações religiosas desse fato, ainda que pouco exploradas (provavelmente pelo afastamento que gerariam no público), interessam os realizadores. É aí que entra o realismo de Nolan: no interesse pelas implicações filosóficas, sociais e religiosas da descoberta de que não estamos sozinhos no universo.
Com sua atuação, Henry Cavill apaga qualquer comparação que poderia existir com Christopher Reeve. Ele é seu próprio Superman, Clark Kent e Kal-El. Interpreta com emoção (note os olhos marejados nas cenas com Diane Lane, que sequer pedem esse tipo de entrega, e a excelente cena em que - aos 30 e poucos - aparece adolescente) e com a ferocidade que determinadas sequências requerem. No meio de tudo isso, arranca suspiros de parte do público aparecendo sem camisa em diversas ocasiões. Igualmente competente está Michael Shannon, ator conhecido pela imersão, aqui mais surtado do que nunca. Seu General Zod é obcecado e irredutível, mas tem suas razões para tal, já que é um escravo de seu próprio papel, a representação alienígena da ordem e da proteção. A ele nunca foi dada nenhuma opção de escolha pela sociedade kryptoniana - e isso o torna um vilão dos melhores que já vimos em qualquer filme baseado em quadrinhos.
O elenco secundário é igualmente determinante no sucesso do filme, para situar o herói entre dois mundos. De um lado, Kevin Costner e Diane Lane. Do outro, Russel Crowe e Ayelet Zurer (Lara), cada um representando um conjunto moral que Superman necessitará para definir seu lugar - ele é o único kryptoniano capaz de tal escolha e esse tema, o do livre-arbítrio, dá ainda mais peso ao subtexto religioso do filme, que acaba até mal-desenvolvido depois de tanta construção.
Completa o elenco principal Amy Adams, como a icônica jornalista investigativa Lois Lane, ela também com seus próprios dilemas morais. Ainda que a personagem esteja perfeitamente alinhada com a criação das HQs, a necessidade de colocá-la no centro da ação é um dos pontos fracos do filme. Provavelmente inseguros se o público se relacionaria efetivamente com Clark, deram a Lois a função de ser a âncora da humanidade no filme. O problema é que isso gera alguns momentos incompreensíveis (como o convite para subir a bordo da nave de Zod). E como em todos os filmes escritos por Nolan, o amor (mesmo que nascente) é mais roteirizado do que efetivamente sentido. Salva-se ao final a última cena, graças à atuação da competente atriz.
Ainda que o roteiro insista em martelar seus temas principais a cada 5 minutos, não deixando nada para a imaginação ou interpretação (a Warner Bros. não aprendeu nada com o "medo" de Lanterna Verde), o espetáculo visual que é O Homem de Aço, porém, escapa incólume e diverte, com um desfecho que marca quem é este novo e sisudo Superman, que chega adaptado ao momento, carregando os valores pelos quais é conhecido, mas alguém que é capaz de reagir e tomar o controle da situação. Ainda que seu "S" represente a esperança, um Homem de Aço para tempos lamentavelmente menos otimistas e inocentes.
NOTA: 5/5
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Superman - O Homem de Aço
domingo, 16 de junho de 2013
[Bilheteria USA] "O Homem de Aço" - 14 a 16 de junho
Como esperado, O Homem de Aço dominou as bilheterias dos EUA. O filme faturou US$ 113,08 milhões no seu final se semana de estreia, e se tornou a maior abertura de junho ao superar os US$ 110 milhões de Toy Story 3. Em quatro dias em exibição nos Estados Unidos, o novo longa do Superman chegou a US$ 125, 08 milhões.
A volta de Superman ao cinema, seis anos depois do filme de Bryan Singer (Superman - O Retorno), refaz a origem do herói, com Henry Cavill no papel principal, Christopher Nolan na produção e Zack Snyder na direção. O Homem de Aço estreia no Brasil em 12 de julho.
Confira abaixo o ranking dos dez mais rentáveis do fim de semana (valores em milhões de dólares) nos EUA, segundo o BoxOfficeMojo. As estreias aparecem em amarelo.
Pos.
|
Filme
|
Bilheteria
(7-9/6) |
Bilheteria Total
|
Custo
|
| 1 | $113,08 | $125,08 | $225 | |
| 2 | $20,5 | $32,80 | $32 | |
| 3 | Truque de Mestre | $10,32 | $80,00 | $75 |
| 4 | $9,43 | $219, 54 | $160 | |
| 5 | $8,20 | $41,84 | $3 | |
| 6 |
Os Estagiários(The Internship)
| $7,00 | $30,95 | $58 |
| 7 | $6,00 | $95,42 | $100 | |
| 8 | $5,66 | $210,49 | $190 | |
| 9 | $3,75 | $54,20 | $130 | |
| 10 | Homem de Ferro 3 | $2,90 | $399,61 | $200 |
Fonte: Omelete
terça-feira, 11 de junho de 2013
"O Homem de Aço 2" confirma Zack Snyder e David Goyer
Segundo o Deadline, Zack Snyder e David S. Goyer retornarão como diretor e roteirista, respectivamente, em Man of Steel 2 (título provisório). Christopher Nolan, desta vez, deve permanecer como produtor, mas sem se envolver tanto na produção e no argumento quanto em O Homem de Aço.
De acordo com o Latino Review, a produção vai mesmo acontecer rapidamente: as filmagens de Man of Steel 2 já estariam previstas para acontecer a partir de janeiro de 2014, com Henry Cavill de volta ao papel principal.
A questão é saber se a Warner Bros. vai mesmo oferecer Liga da Justiça para Snyder e qual filme sai primeiro: o próximo Superman ou Liga da Justiça.
O Homem de Aço estreia em 14 de junho nos EUA e 12 de julho no Brasil.
Fonte: Omelete
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